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Os primeiros croissants

O início de tudo aconteceu em 2017, em um apartamento minúsculo onde eu morava com meu esposo, o professor Vagner. Nós dois éramos docentes e trabalhávamos juntos. Eu aproveitava o tempo livre para fazer alguns pratos sob encomenda (pães, bolos, tortas e o que mais “desse na telha”).

Logo a cozinha do apartamento ficou desconfortável e resolvemos nos mudar para um lugar maior. Nessa época, eu conciliava a docência com as encomendas, feitas com todo carinho depois das aulas.

Aprendendo o caminho, caminhando, sem receita de preparo…

No início de 2019, a Kantine entrou em um hiato enquanto eu decidia fazer uma transição de carreira e fui para o interior da França realizar um estágio na área de pâtisserie, na cozinha do Restaurante Le Vivarais, que na época possuía uma estrela Michelin. Poucos dias depois da minha chegada à Europa, meu grande parceiro de vida e de projetos, o professor Vagner, sofreu um acidente fatal de carro.

No final de 2019, com meu retorno ao Brasil, retomei as atividades da Kantine em uma casinha pequenininha no centro de Uberlândia. O lugar não tinha placa nem campainha. Para conseguir entrar, os clientes ficavam gritando do lado de fora até alguém ouvir e abrir o portão, rs. Nessa época, éramos apenas duas pessoas: eu e uma auxiliar de limpeza.

Em abril de 2020, a empresa passou a ter um CNPJ. As encomendas cresciam mais rápido do que a capacidade de produção, então chegaram novos auxiliares, pessoas muito boas que ajudaram a fortalecer a empresa. O foco do trabalho era a produção de bolos confeitados e chocolates, mas eu fazia tudo o que os clientes pediam. Meu objetivo naquela época era simplesmente sobreviver. Logo veio a pandemia da COVID-19, as encomendas aumentaram bastante e foi necessário mudar para um novo endereço.

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Clientes maravilhosos

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Funcionários incríveis

Coragem, fé e muita gratidão

A mudança aconteceu em maio de 2021. Dessa vez, fui para uma casa muito maior no bairro Aparecida. O aluguel era três vezes mais caro e a produção começou a ficar mais segmentada. Nessa época, criei coragem e comprei uma máquina para laminar massa folhada e produzir croissants franceses. Imaginei que levaria cerca de três anos para recuperar o investimento, mas em poucos meses a máquina já estava totalmente paga.

A casa também não tinha placa e os clientes chegavam sempre por indicação. Ligavam para a empresa tentando encontrar o endereço, já que a fachada era pintada de branco e o número da casa também. Ou seja: era quase um esconderijo. E, mesmo assim, aos sábados havia fila na porta. Além dos croissants, eu também vendia bolos no pote, bombons e tudo o que minha imaginação e meus braços davam conta de produzir.

No final da pandemia, os clientes começaram a pedir cada vez mais mesinhas e cadeiras para se sentarem, comerem os croissants e tomarem um café. Mais uma vez, criei coragem e decidi abrir uma cafeteria. Meu Ford Ka virou uma “pi-Ka-pe”, onde eu carregava cimento, piso, cano, madeira e tudo mais que conseguia transportar. O dinheiro estava contado, o medo era gigantesco, mas a obra ficou pronta em poucos meses.

A mudança aconteceu em maio de 2022, mas havia um grande problema: ninguém sabia como fazer uma cafeteria funcionar. Eu não sabia carregar uma bandeja, fazer café, absolutamente nada. Tudo foi aprendido do zero.

Para evitar grandes traumas, as mesas e cadeiras foram sendo colocadas aos poucos, semana após semana. No Instagram, a comunicação era: “Mudamos, mas ainda não temos café”. A inauguração foi marcada para o dia 31 de agosto de 2022, aniversário da cidade de Uberlândia. Foi uma data bastante estratégica porque caiu em uma quarta-feira: as pessoas estavam livres para visitar a empresa e ainda haveria tempo para reorganizar tudo antes do final de semana.

Convidei amigos e familiares para reforçarem o time no grande dia. Tinha médico virando barista, estudante de economia atuando como hostess, amiga ginecologista retirando pratos das mesas, engenheiro ajudando na organização. Foi um dia muito feliz. Centenas de pessoas passaram pela empresa.

A expectativa era que, no dia seguinte, o movimento voltasse a ser pequeno, mas isso não aconteceu. A cada dia, a quantidade de clientes aumentava. As filas eram imensas e a Kantine virou hype total.

Mais uma vez, “levemente pressionada” pelos clientes, precisei ampliar o espaço. Teve início uma nova obra, carinhosamente chamada de “puxadinho”. No começo de 2023, o novo salão foi inaugurado, diminuindo as filas que continuavam enormes.

No meio daquele ano, me casei novamente, agora com o Marcos, outro grande parceiro de vida e de sonhos. E, como dizem que a voz do povo é a voz de Deus, ouvi mais uma vez meus clientes, que pediam constantemente uma nova loja na Zona Sul da cidade. Lá fui eu, agora grávida do meu filho Gabriel, iniciar mais uma obra.

Gabriel nasceu no dia 3 de maio de 2024. Pouco mais de um mês depois, inaugurei a segunda unidade da Kantine, dentro do Complexo Vinhedos, na zona sul de Uberlândia.

Que sortuda é essa menina, né? Mas eu sempre digo que a loja não é minha, é de Deus. Eu apenas procuro cumprir aquilo que Ele me direciona e vou tocando tudo aos trancos e barrancos, fazendo o melhor que posso.

Hoje, em 2025, a Kantine está em navegação de cruzeiro. Mas, vez ou outra, ainda se escuta um burburinho de que talvez venha uma terceira unidade no futuro.